quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Dona do meu sorriso.



Arranquei o que sobrava. Tudo que era inútil e que me fazia mal.
Incinerei, amassei, pisoteei, picotei e joguei fora.
Lancei fora, vomitei.  Nada de sal de frutas, nada de remedinho de vó ou de chá de boldo.
Já dizia minha mãe: Tem que lançar fora mesmo.
Rasguei as paginas, apaguei os números, não sigo mais nem na rua, nem na lua e nem lá você sabe onde.
E assim, mais uma vez me liberto. Pronto para o novo, para o sorriso e para cantar.
Morrendo de rir de quem resolveu se aprisionar na mentira de si mesmo. Eu continuo escolhendo a verdade.
E ela me faz livre, me faz dormir em paz.
Meu sono é meu.
Minha verdade é minha.
Dona do meu sorriso.


quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Ausência.




No escuro da madrugada eu bebo tua ausência. E no palpitar doloroso do meu coração me alimento de sua presença em mim. Busco no fundo de minha memória o gosto do seu beijo, faço esforço para não esquecer.
Na confusão da minha cabeça guardo um espaço calmo para nós: uma varanda com mormaço, moscas, flores e taco de madeira. Uma vitrola de canções profundas. Uma ausência tua.
Na ausência te procuro. Uma necessidade de toque, uma saudade do áspero das tuas mãos, um aperto presente no abraço quase esquecido. Um cheiro, um balsamo, um banho.
Uma vontade de cantar. Altero o volume de minhas canções e no calar da madrugada canto com os olhos lacrimejados. Poesia molhada de mim, salgado e doce gotejar castanho.
Quero receita para arrancar dor de coração, alguma garrafada que cure saudade, comprimido contra solidão. Quero um piano de longas notas quebrando o silencio, quero canção de ninar... Quero ombro. Teu ombro que me encaixa, os outros ombros já não me cabem mais.
E assim, deitado no colchão desejo estar deitado no macio de teu corpo, respirando contigo o doce ruído de um sono juntos. E no embalar de pernas constante, sonífero para noites de insônia, adormeço. E enfim nos encontramos, na infinita vontade de não acordar.