Vai vigiando a aurora.
Pesquisa as gotas de orvalho, nota o recomeço.
Analisa os primeiros raios do sol, toma-os, degusta-os.
O Canto ouriçado do galo, o cheiro do café, o azul manso e avermelhado.
A missa no rádio da vó, o bem-te-vi mansinho só no "vi"...
Nascendo com o dia, renasço.
Esse novo tempo, mais amigo que outrora, me brilha os olhos.
Essa nova vida, esse novo dia...
Vem a brisa bem de levezinho, fazer carinho no cabelo...
Me desperta, e de pé eu eu espio...
Corro com os raios de sol, e eles safadinhos e apressados me passam a vez, correm a minha frente, me impedem de alcança-los. Eu os vejo e os deixo ir... Observo os raios iluminarem as estradas, as matas, os laços, os partos, as vindas.
Vou vigiando a aurora... deixo ela florear no dia...
Vou vigiando o dia, espero ele ser aurora.
Nasço, permito, cresço e crio frutos.
Vou vigiando a aurora.