E foi escapando.
Passando por entre os dedos.
O tempo, o olhar, o sorriso. Um encontro inesperado.
Um abraço que me acolheu e depois escapou.
Um sorriso que me prendeu e depois fugiu.
E eu fiquei, esperando a volta.
Passei por outros braços, visitei outras bocas... mas aquela que me deixou, essa não saiu de mim.
Fico preso, esperando, oportunidades... silencios, abraços, encontros e sorrisos.
Fico esperando a boca que eu quis e que um dia ainda vai voltar.
E por entre o cinza nublado de um dia comum, eu procuro um traço colorido. Uma agulha de aquarela no palheiro incolor.
domingo, 27 de janeiro de 2013
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
A louca da alma
Todo dia cedo ela me visita, vem num carro descontrolado,
bêbada, louca, instável. Bate em minha porta querendo entrar, grita, esperneia.
Às vezes deixo, às vezes não.
Se ela
entra, me desconstrói. Sai procurando meus segredos, abre meus armários, minhas
caixas, bagunça meus selos, minhas cartas e fotografias. Coloca-os todos para
fora, sem administrar muito, apenas deixa que todos saibam de tudo; Bagunça
meus sonhos, ri dos meus defeitos, pinta minha raiva, grita meu silêncio.
Se não
entra desiste, mas não pra sempre... Fica a cerca, só esperando uma
oportunidade. Já eu, mantenho tudo irritantemente no controle: caixas, selos,
sonhos, cartas. Todos guardadinhos, lacrados.
Sem ela
sou um chato. Só com ela, me descontrolo. Então ela se espalha em mim e dá um
gostinho de si em tudo o que eu faço, ela pinta de cores quentes meus dias
frios, salpica Cury e pimenta nas minhas sopas, meus pratos, meus lábios. Somos
mistura um do outro.
Envermelha meu azul, amarela meu esverdeado. Cores que se completam.
Um equilíbrio
desequilibrado, ela e eu somos um. E ficamos assim, e assim me encontro. Eu e a
louca da minha alma.
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