Vai.
E leva consigo minhas lágrimas, meus desamparos.
Fica por lá.
Cada qual no seu canto, nas suas horas.
Vai, e deixa o tempo cuidar de mim. Eu fico bem aqui.
Fico com meus lençóis cheirosinhos, e minha fronha macia.
Fico com meu quarto, meu cachorro, minhas flores naturais, minhas pétalas.
Fico com meus pensamentos e minha alma livre.
Fico com o compasso da minha canção, as semicolcheias do meu coração.
Volto para o tum tum ritmado.
Fico com meus defeitos, minha carência, minhas bobeiras.
Vai, eles não são mais teus. Meus tesouros, eu pego de volta.
Vai que eu fico.
Ficando eu vou.
Para onde não deveria ter jamais saído.
E por entre o cinza nublado de um dia comum, eu procuro um traço colorido. Uma agulha de aquarela no palheiro incolor.
terça-feira, 28 de agosto de 2012
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
Beije-me por favor.
Beije-me por favor.
E seus lábios me colorirão, e seus olhos fecharão os meus. Os meus sonhos terão sentido.
Por favor, me beija. Me tome em seus braços e me proteja!
E ao me beijar, ouvirás sinfonias, sentirás meus gostos, texturas, lerás meus pensamentos.
Me beija.
Me tira da solidão, me mostra os caminhos molhados de saliva e amparo.
Marque o trajeto de sua boca em mim, trilha de pele e suor.
Conquiste-me, beije-me.
Decore o pigmento de meus olhos e o som do meu sussurro.
Meu número de telefone, meus dígitos, os vincos de meus lábios, secos, falantes.
Me beija. Me liga, me procura...
Acarinhe meu peito, me encaixe em seu abraço.
Tome posse do meu cheiro, do meu calor.
Beije-me... por favor.
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