quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Ausência.




No escuro da madrugada eu bebo tua ausência. E no palpitar doloroso do meu coração me alimento de sua presença em mim. Busco no fundo de minha memória o gosto do seu beijo, faço esforço para não esquecer.
Na confusão da minha cabeça guardo um espaço calmo para nós: uma varanda com mormaço, moscas, flores e taco de madeira. Uma vitrola de canções profundas. Uma ausência tua.
Na ausência te procuro. Uma necessidade de toque, uma saudade do áspero das tuas mãos, um aperto presente no abraço quase esquecido. Um cheiro, um balsamo, um banho.
Uma vontade de cantar. Altero o volume de minhas canções e no calar da madrugada canto com os olhos lacrimejados. Poesia molhada de mim, salgado e doce gotejar castanho.
Quero receita para arrancar dor de coração, alguma garrafada que cure saudade, comprimido contra solidão. Quero um piano de longas notas quebrando o silencio, quero canção de ninar... Quero ombro. Teu ombro que me encaixa, os outros ombros já não me cabem mais.
E assim, deitado no colchão desejo estar deitado no macio de teu corpo, respirando contigo o doce ruído de um sono juntos. E no embalar de pernas constante, sonífero para noites de insônia, adormeço. E enfim nos encontramos, na infinita vontade de não acordar.

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