sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

A cura


Ele foi embora.
O tempo foi embora enquanto eu procurava os culpados. E ao acha-los, os mantinha, infurcava-os dentro de mim, como comida azeda, como corpo em decomposição, apodrecem, gangrenam.
E enquanto me afogava na culpa, o tempo foi passando…Assistia pela janela a alegria da liberdade. Podia ver os sorrisos passeando pelos parques, pelas ruas.
Eu porém permitia que as vozes da escuridão me mantivessem no cubículo escuro do ressentimento, resumia -me em apenas manter a ferida aberta, numa tentativa inútil de despertar piedade, auto piedade, dó de mim. E a ferida sangrava, e o tempo passava.
Procurava a coragem, ela porém passeava com o tempo a espera do meu despertar. Eu dormia: havia desistido do amor.
Foi quando do alto gritou a voz de um anjo: Despertai! DespertaI! DesperTAI! DesPERTAI! DESPERTAI!
 Ele insistiu, e me carregou pelas mãos me colocando de pé.  A ferida porém sangrava: novo, sangrava velho, sangrava seco e vivo.
Ao me ver despertar, a coragem,que outrora passeava, voltou para a casa e trouxe consigo o tempo. O tempo e a coragem andavam sempre juntos. 
E foi assim: A coragem fez o tempo se derramar sobre as minhas feridas e elas cicatrizaram.
Para a cura:
O tempo: eficaz remédio.
A coragem: grande amiga.
O amor: Há sempre uma chance para ele.
“Não tenha vergonha se queres chorar, tens uma ferida que deve curar.  E se queres olhar adiante, o passado se deve sarar”.
” Tenha coragem e segue lutando! A muito por amar e Deus não pensa em deixar-te”.
“Ainda podes dizer ao amor que sim”
“Sim”

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