Leia ouvindo a canção!
Tocou o piano. Introduziu.
O tempo de hoje me deveras gentil.
Não me choveu e nem me ensolarou, mas assegurou meus segundos outrora relutantes, hoje porém, devoradores.
Os segundos me devoram. Sem pestanejar mastigam minha vida e minha sede de renovação. E eu me acabo no seu abrir e fechar de boca.
Eu sou feito pra acabar.
Pausa longa, entram vozes, piano toca, violinos…
Não quero mais me economizar, vou acender as luzes e abrir as torneiras. Alimentar-me das dispensas, calçar o vento, vestir os mares: pacíficos, árticos, atlânticos, azuis.
Vou desperdiçar sorrisos, lágrimas e solos de violino.
Vou jogar palavras ao vento, conversar com os bem-te-vis, cantar para o sol, vou falar com o Beto.
Vou enfeitar a parede do meu quarto com estrelas. Quero as maiores!
Vou tirar o impossível pra dançar tango, rumba, tchá tchá tchá. Sim, vou rir com o impossível.
Vou ter uma longa conversa com Deus, sem medo de perder tempo! E para Ele vou dizer sim.
Eu sou feito pra dizer sim!
Intervalos, prelúdios,a canção continua!
E no acabamento de mim mesmo, me restituo, renasço. Para novamente me acabar.
Eu não tenho medo de acabar, perdi o medo de mim.
Deus me orquestrou e eu fui feito pra tocar, fui feito pra acabar e isso nunca vai ter fim.
Toca o piano. A canção acaba.
É incrível a sensação de renovação que tive ao ler esse texto com essa música. A reflexão foi profunda em "Pausa longa, entram vozes, piano toca, violinos…". Lindo!
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